Minicursos no 14º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul com Janaína Damaceno e Kênia Freitas

Entre os dias 11 de Outubro e 21 de Outubro deste ano, estão abertas as inscrições para minicursos da 14a edição do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul.

O Minicurso Fotografia e Memória será com a filósofa e doutora em Antropologia pela USP Janaina Damaceno, presencialmente, nos dias 29 e 30/10, no Centro AfroCarioca. O objetivo desse curso é abordar a produção visual de fotógrafos negros que retrataram o cotidiano da comunidade negra no período de segregação racial nos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul, refletindo sobre como seu ativismo visual foi fundamental para denunciar a existência do racismo em tais países.

Já o minicurso Crítica de Cinema, com pesquisadora e crítica de cinema Kênia de Freitas será online, pela plataforma Zoom, nos dias 25, 27 e 29 de outubro e 01 e 05/11. Aqui, a proposta é formar e treinar olhares sobre o cinema e também pensar as formas de estruturação do pensamento crítico para os interessados em atuar no campo da crítica cinematográfica em seus diversos formatos.

Link para inscrições:

http://afrocariocadecinema.org.br/encontro2021/encontros-e-minicursos/?fbclid=IwAR1F-6xw2EXQZ5rnQPsCaxdf3RDGpdGXkJDlz5ZiFRAqeOjWNct5yjAGBN8

66ª edição do Flaherty Film Seminar com Janaína Oliveira

Em Julho de 2021 aconteceu a 66ª edição Flaherty Film Seminar. O seminário começou na década de 1950 – antes da era das escolas de cinema – quando a viúva de Robert Flaherty, Frances, reuniu um grupo de cineastas, críticos, curadores, músicos e outros entusiastas do cinema na fazenda Flaherty em Vermont. Por mais de sessenta anos, o Seminário Flaherty foi firmemente estabelecido como uma instituição única que busca encorajar cineastas e outros artistas a explorar o potencial da imagem em movimento. Novas técnicas e abordagens cinematográficas apresentadas pela primeira vez no seminário têm feito seu caminho rotineiramente para o cinema mainstream.

A pesquisadora e curadora Janaína Oliveira realizou a programação do seminário, sendo a primeira brasileira e sexta latino-americana a participar da curadoria ao longo dos 66 anos do evento. O tema desta edição é sobre a ideia de Opacidade, trazendo de forma inaugural para a discussão de cinema a ideia do escritor Édouard Glissant.

OPACIDADE

Incerteza, fragmentação, opacidade. Vivemos um tempo onde a transparência das convicções e definições e o desejo por total entendimento das diferenças que historicamente guiaram as imagens do mundo ocidental não funcionam mais. No cinema, os limites entre o centro e a margem foram perdidos e dissolvidos. Hoje, o problema crítico não pode ser mais o de realinhar o centro, e sim as nossas percepções das margens. Mais do que nunca, os limites geográficos tradicionais dos cinemas se mostraram insatisfatórios, na medida em que as conexões culturais e históricas são continuamente retrabalhadas. Imagens em movimento requerem tanto cineastas quanto expectadores para negociar o que não é entendido: não existe ponto cego; nunca houve. Os pontos são opacos, e eles nos compelem a fabricar novas ferramentas para descrever o que vemos, sentimos e pensamos.

A 66ª edição do Flaherty Film Seminar nos inspirará a olhar de modo desafiador os pontos opacos do cinema. Como sugere o filósofo e escritor Édouard Glissant, os trabalhos apresentados irão “clamar pelos direitos à opacidade para todos” em suas irredutíveis singularidades. Opacidade é uma força que se desdobra, criando possibilidades abertas e infinitas de existência cinemática, especialmente para sujeitos que tenham sido excluídos ou menos valorizados nas telas convencionais. O Seminário será uma oportunidade para experienciar a imagem em movimento em sua potência, beleza e, mais que tudo, em sua ordinariedade. Como um convite ao deslocamento ou à provocação, ele aponta para um futuro aberto, para liberdades estéticas, formais, culturais, onde o questionamento é priorizado acima das respostas encontradas.

Tradução: Leo Gonçalves

Programação dos Filmes

Sábado, 10 de julho, 11h

Programa 01

Serpent Rain, Denise Ferreira da Silva & Arjuna Neuman
المختبر (In Vitro), Larissa Sansour & Søren Lind

Sábado, 10 de julho, 15h

Programa 02

Fantasmas (Ghosts), André Novais Oliveira
Over the Rainbow, Athi-Patra Ruga & KOPE | FIGGINS
The Klan comes to town (The Klan comes to town), Deanna Bowen
Vaga Carne, Grace Passô

Domingo, 11 de julho, 11h

Programa 03

The Land, Robert Flaherty
Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: Essa Terra É Nossa! (Nũhũ Yãg Mũ Yõg Hãm: This Land Is Our Land!), Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu & Roberto Romero

Domingo, 11 de julho, 15h

Programa 04

Temporada (Long Way Home), André Novais Oliveira

Segunda-feira, 12 de julho, 11h

Programa 05

Jamal (A Camel), Sudanese Film Group
Jagdpartie (Hunting Party), Sudanese Film Group
Missing Time, Morgan Quaintance
The Paul Good Papers at Notasulga, Deanna Bowen

Segunda-feira, 12 de julho, 15h

Programa 06

Alone, Garrett Bradley
AKA, Garrett Bradley

Terça-feira, 13 de julho, 11h

Programa 07

Fatôme Creole, Isaac Julien
True North, Isaac Julien
Fatôme Afrique, Isaac Julien
Paradise Omeros, Isaac Julien

Terça-feira, 13 de julho, 15h

Programa 08

Konãgxeka: O Dilúvio Maxakali (Konãgxeka: The Maxakali Flood), Isael Maxakali & Charles Bicalho
Yãy tu nunãhã payexop: encontro de pajés (Yãy tu nunãhã payexop: shamans meeting), Sueli Maxakali
Soot Breath // Corpus Infinitum, Arjuna Neuman & Denise Ferreira Da Silva

Quarta-feira, 14 de julho, 11h

Programa 09

Africa, Dzungli, Baraban I Revolucija (Africa, the Jungle, Drums and Revolution), Sudanese Film Group
Miss Congo, Athi-Patra Ruga
Frantz Fanon: Black Skin, White Masks, Isaac Julien & Mark Nash

Quarta-feira, 14 de julho, 15h

Programa 10
Opera Infinita, Denise Ferreira da Silva & Jota Mombaça

Quinta-feira, 15 de julho, 11h

Programa 11Lessons of the hour, Isaac Julien

Quinta-feira, 15 de julho, 15h

Programa 12

South, Morgan Quaintance
She comes back on Thursday, Andé Novais Oliveira

Sexta-feira, 16 de Julho, 11h

Programa 13

Deanna Bowen Artist Talk

Sexta-feira, 16 de Julho, 15h

Programa 14

Another Decade, Morgan Quaintance
O Segundo antes da coragem (The Second Before Courage), Grace Passô & Wilssa Esser
4 Waters – Deep Implicancy, Arjuna Neuman & Denise Ferreira Da Silva

Sábado, 17 de Julho, 11h

Programa 15

Insan (Human being), Sudanese Film Group
Yãmĩyhex: as mulheres-espírito (Yãmĩyhex: the women-spirit), Sueli Maxakali & Isael Maxakali


Sábado, 17 de julho, 15h

Programa 16

America, Garrett Bradley
Nation Estate, Larissa Sansour
Public Service Announcement, Athi Patra Ruga
REPÚBLICA (REPUBLIC), Grace Passô

Domingo, 18 de Julho, 11h

Programa 17

A Space Exodus, Larissa Sansour
sum of the parts: what can be named, Deanna Bowen
In the Future They Ate from the Finest Porcelain Larissa Sansour & Søren Lind
…After He Left, Athi-Patra Ruga
Ficções Sônicas, Grace Passô

https://www.flahertyseminar.org/welcome

Afrofuturismo no Cinema – Imaginando Futuros Negros com Kênia Freitas

A aula-oficina ministrada por Kênia Freitas propõe-se a discutir os desdobramentos estético-políticos do afrofuturismo no audiovisual. A apresentação é voltada para a formação do público interessado em pensar e/ou conhecer as artes e narrativas negras contemporâneas, em suas possibilidades educacionais, culturais e políticas.

Aula aberta: “Histórias dos cinemas por meio da crítica” com Kênia Freitas

A professora, crítica e curadora Kênia Freitas ministra a masterclass “Histórias dos cinemas por meio da crítica” do curso Críticas de Cinema, realizado pela Escola Itaú Cultural entre 8 de setembro e 15 de dezembro de 2021.

Pensar a história do cinema por meio da crítica é ao mesmo tempo um exercício de revisão e ampliação do cânone crítico e de questionamento dos enunciados universais e unívocos, tanto no cinema quanto na crítica. Ressituar o fazer crítico a partir dos seus locais de enunciação, pontos de vistas e construções de mundo torna-se um dos objetivos dessa revisão histórica.

Em um momento de reconfiguração cultural das dinâmicas sociais, raciais, de gênero e sexualidade, práticas de uma nova cultura fílmica – mais horizontal e diversa – se afirmam cada vez mais.

Masterclass com Adélia Sampaio, mediada por Tatiana Carvalho Costa

Poderia um filme representar os desafios de se realizar cinema nos anos 80? A masterclass Dirigindo Amor Maldito ou a mulher que enfrentou o sistema propõem um estudo de caso sobre os desafios na realização deste longa-metragem, considerado um marco na história do cinema nacional por ser o primeiro filme de longa duração a ser dirigido por uma mulher negra no Brasil. Não bastante, o filme é sobre uma história de amor entre duas mulheres, pela primeira vez sendo construída pelo olhar de uma mulher.  Não perca este encontro histórico! Dia 23 de Setembro, às 19h, ao vivo no canal do youtube da Fundação Clóvis Salgado. O filme Amor Maldito, pode ser assistido online na plataforma cinehumbertomauromais.com e dia 22/09 (quarta-feira) às 17h30 presencialmente no Cine Humberto Mauro.

Um ano sem Zózimo Bulbul

Em 24 de janeiro de 2013, faleceu Zózimo Bulbul, o grande símbolo do Cinema Negro no Brasil.

O FICINE tem em Bulbul uma fonte de inspiração. Por este motivo, criamos aqui em nossa página um espaço permanente dedicado à obra de Bulbul. Não só como homenagem ao mestre, mas também como forma de contribuir para o fim da invisibilidade que infelizmente marca os feitos dos negros e negras na história do Brasil, sobretudo quando falamos de cinema.

Leia  a seguir  Zózimo Bulbul e o Cinema Negro“,  texto que você encontra na sessão permanente de nosso site.

70 anos. Era esta a idade de Jorge da Silva, mais conhecido como Zózimo Bulbul, quando iniciou a empreitada de sua vida: a criação de um pólo de cinema negro no coração da cidade do Rio de Janeiro. Assim, em 2007, Zózimo deu início às atividades do Centro Afro Carioca de Cinema, um quilombo de cinema na Lapa, como ele mesmo afirmava.

À esta altura ele já tinha consolidado uma carreira como ator e cineasta. Uma das mais marcantes personagens do cenário de cinema brasileiro, surgido no contexto do Cinema Novo, Bulbul estreou como cineasta nos anos 1970 com o “Alma no Olho”, uma reflexão sobre a vinda dos africanos para a diápora ao som de John Coltrane. Deste momento até 2012, Bulbul dirigiu mais nove curtas-metragens e um longa, Abolição, sempre caracterizados pela valorização cultural do negro e da África,  no combate ao racismo que nos invisibiliza no cenário do Brasil contemporâneo.

Além, dos filmes, Zózimo Bulbul, realizou os Encontros de Cinema Negro, entre 2007 e 2012. Os Encontros de Cinema Negro são o principal legado de Zózimo no Centro Afrocarioca.

Realizados entre 2007 e 2012, e com o próximo marcado para março de 2014, os Encontros representam um marco na história do Cinema Negro no país, pois não só retomam uma discussão sobre a consolidação do campo das cinematografias negras no mundo como também significam um posicionamento político a respeito destas produções. Pois na perspectiva de Bulbul não havia dúvida: para ter filme exibido em seus Encontros, o/a realizador/a tinha de ser negro/a. Cinema Negro, tal como ele concebia, era o fruto de subjetividades negras projetadas na tela.

Este posicionamento rendeu a Zózimo adjetivos como “polêmico” e “controverso” o que, muitas vezes, ofuscava seu feito mais relevante: promover encontros. Encontros entre cineastas negros, do Brasil e da diáspora, e cineastas africanos. E, talvez o mais importante, encontros do público brasileiro com os filmes, com o cinema negro, e também com seus realizadores.

O FICINE tem em Zózimo Bulbul sua fonte de inspiração. Neste sentido, concordamos com Noel Carvalho quando ele dá a Zózimo o título de inventor do cinema negro brasileiro. Para nós do FICINE, falar em cinema negro no Brasil é falar da obra de Zózimo Bulbul, é tê-la como referência.

Filmografia de Zózimo Bulbul, diretor

  • Alma no olho (1974)
  • Aniceto do Império (1981)
  • Abolição (1988)
  • Pequena África (2002)
  • Samba no Trem (2005)
  • República Tiradentes (2005)
  • Zona Carioca do Porto (2006)
  • Referências (2006)
  • O primeiro olhar (2009)
  • Renascimento Africano (2010)
  • FESPACO (2011)
  • C.A.I.S (2012)

Veja também entrevistas com Zózimo Bulbul do Acervo do CULTNE, acervo digital da cultura negra e também do programa 3a1 da TV Brasil.

Bem Vindos!

Chegamos!

Depois de alguns meses de gestação, o Fórum Itinerante de Cinema Negro, o FICINE, ganha vida!

Inauguramos hoje a nossa página e queremos, desde já, você participando deste processo que é, em sua origem, coletivo. Contamos com sua colaboração, comentando, criticando e, sobretudo, nesse começo, nos ajudando a divulgar nossa proposta!

Semanalmente, teremos aqui na página inicial a publicação de textos (posts) relativos à temática escritos por colaboradores de diversas áreas de formação e atuação. Mas não ficamos por aqui! Dê uma volta pelos ambientes da página e conheça as demais dimensões do FICINE. Conheça o FicinEducação, o Ficine.Doc e também as nossas referências para os pesquisadores e interessados nesse campo de debate.

O FicinEducação é um espaço dedicado à ampliação das reflexões e percepões sobre as imagens do negro na diáspora e no continente africano, no âmbito da educação e da formação continuada de profissionais ligados à educação. Nela temos também a sessão oFicine, onde se encontram as propostas de atividades desenvolvidas por nós em forma de workshops, cursos, seminários e na elaboração de materiais para-didáticos voltados para o uso do audiovisual na aplicabilidade da lei 10.639/03, lei que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras no cenário educacional brasileiro.

 Já o Ficine.Doc, que irá ao ar em breve, trará além da indicação vídeos disponíveias na rede, webdocumentários e curtas-metragens produzidos por nós e nossos colaboradores no âmbito desta cinematografia negra que estamos nos propondo a discutir.

Temos ainda na parte das referências, informações sobre cineastas, links de parceiros e instituições, catálogos, além de um precioso levantamento bibliográfico de artigos, teses, dissertações e livros. Pois parte fundamental da nossa missão é divulgar essas produções.

É isso!

Sejam bem vindXs ao FICINE!

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora